sábado, março 06, 2010

Coisa de Jornalista #3 - No Carnaval

É no carnaval que todo estagiário vira gente! Crachá de imprensa, responsabilidade nas costas, noites sem dormir, olheiras, voz? Para que você precisa de voz depois do carnaval mesmo, não né?

Todo mundo acha que aquele crachá de imprensa é a passagem direta pro paraíso carnavalesco. [Cara de Alt Gr 66 (¬¬)] Doce ilusão pensar que o paraíso andava pendurado no meu pescoço e no de centenas de estagiários desesperados pelas ruas de Salvador. Aquele cracházinho ordinário me dava é trabalho! (Não estou reclamando, longe de mim, a cada ano eu adoro mais trabalhar no carnaval). Pense numa correria gostosa...

Por trás das câmeras:
Quinta-feira (11 de fevereiro) – 1º dia de carnaval!
Sorriso de orelha á orelha, gás, o primeiro dia de carnaval eu defino como GÁS! Todo mundo cheio de energia, os foliões, os cantores, os cinegrafistas, os produtores, os repórteres... Era bonito de se ver! O primeiro dia de transmissão para tv é o test drive, é o dia de testar tudo que pode dar errado, tudo que possivelmente pode acontecer, enfim é correria! (É lindo ver o carnaval passar, só não é melhor que estar lá no meio o fazendo andar). 2 da manhã, acabou nossa transmissão, éramos a única tv transmitindo ao vivo o dia do Samba no Campo Grande, massa! Eu e meu crachá ficamos orgulhosos!

Terça-feira (16 de fevereiro) – Ultimo dia de carnaval.
Meu ouvido já tava pedindo ‘PELO AMOR DE DEUS tire essa comunicação daqui!’. A comunicação: o aparelho fica no ouvido o tempo todo para conectar o produtor e o caminhão, ao apresentador (ou repórter). Todos se ouvem, por isso falar era algo racionado (um horror porque eu adoro falar): só quando for solicitado, caso contrário vira um mangue, uma sala de bate-papo televisiva. Sério, meu ouvido sofreu muito esse carnaval. Cada ano eu nomeio um sofrido da vez, ano passado foram os pés, esse os ouvidos sem dúvida!
Pelos corredores só se ouvia ‘Esse carnaval tá amarrado de corda, não termina não é?’. Na tia do acarajé, jornalistas de todas as emissoras, ‘N’ sotaques, mas o melhor era ver os paulistas e cariocas perguntando: ‘De onde vocês tiram tanto GÁS?’. Só ouvi a baiana saidinha falar: - ‘Rapaz, nem te conto’. Nem te conto mesmo! Porque se eles achavam que o carnaval tinha acabado, espere só para ver a quarta-feira de cinzas. Pois é, o carnaval só acabou oficialmente para eles, porque para mim só depois que Ivete varrer a avenida.

Quarta-feira (17 de fevereiro) – Só as cinzas nessa quarta.
Eu e meu crachá acordamos ligeiramente cansados, precisava está ás 8h na Barra, íamos transmitir ao vivo o arrastão. Deu 9h, e nada de Brown, aquele sol, aquela lama, com aquele bando de bêbado na rua achando que estavam em casa (o que tinha de homem só de cueca e mulher quase nua na rua tava fora de cogitação), sai para descobrir porque diabos os trios ainda estavam parados. Saí pulando os instrumentos do Olodum, desviando dos atabaques da Timbalada, até encontrar a produção de Brown. Deu 10h, e lá vem ele, não é querendo puxar saco não, mas meu Deus ele é sensacional! E sensacional também, foi minha cena quase me jogando do praticável com uma placa de ‘AOVIVO’ na mão gritando ‘Browwwwwwwwwwwwwn estamos ao vivoooooooooo, porra!’. Minha tentativa de suicídio renderam boas imagens.

Agora pergunte, qual foi o camarote que eu fui com meu passaporte para o paraíso, ou melhor, digo, meu crachá de imprensa? NENHUM! O único camarote que meu crachá viu foi a cabeceira da minha cama. Até o carnaval 2011, com mais um crachá para coleção, amém!

1 É Mermada:

Nx4ever disse...

É mermo! Os turistas acham que nós, baianos, temos uma energia surreal. E temos mesmo! Teu crachá está melhor? Ele passeou bastante este ano. Esteve em todos os lugares onde eu NÃO gostaria de estar neste carnaval. \o/ Viva o crachá!!! Acho que vem ele vai entrar no camarote, nem que seja o da TVE.

Não é mermo? ;*

Beijos mil!

Aline Silvani (@vavitxa)

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