Mariguella Vive!Nome:
.
.
"É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer."
Carlos Mariguella
Em vida:
Por 58 anos(1911-1969).
Terra Natal:
São Salvador-BA
Berço:
De origem humilde,era filho de Augusto Mariguella, um operário italiano, com uma negra descendente de Haussás(negros convertidos ao islamismo), Maria Rita do Nascimento.
Comunista:
Com 18 anos, cursava engenharia civil na Escola Politécnica da Bahia. Enquanto isso, ingressou no PCB - Partido Comunista do Brasil. Dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
Militante:
Em 1932, após escrever um poema com críticas ao então interventor do Estado da Bahia, Juracy Magalhães, foi preso pela primeira vez. Libertado no mesmo ano, prosseguiu com sua militância política chegando a interromper seus estudo no 2º ano de formação. Quando resolveu morar no Rio de Janeiro.
Mariguella veio a ser preso novamente em 1º de maio de 1936. Durante 23 dias enfrentou terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Onde mostrou-se tenaz e focado na sua luta.
Em cárcere por um ano, mudou-se agora para São Paulo onde passou a trabalhar duramente na reestruturação do PCB. Enfrentando também a repressão selvagem do Estado Novo Varguista.
1939, mais uma vez preso e torturado brutalmente na Delegacia de Ordem Pública e Social(DOPS) de São Paulo, se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Mandado aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do PCB na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Foi apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.
Clandestinidade:
Com a cassação do PCB pelo governo Dutra em 48, retorna à clandestinidade aonde passaria as duas décadas restantes da sua vida.
Foi o responsável pela revista teórica “Problemas”, fundada em 1947.
Tomou parte ativa nas lutas populares do período. Em defesa do monopólio estatal do petróleo, contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia.
Atento à realidade brasileira, dirige muita atenção à questão agrária e redige em 1959 o célebre artigo “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”. Nesse período visita a China Popular, União Soviética e Cuba. Em suas viagens, viu de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.
Quase morte:
Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descreveu o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.
Inimigo nº1:
Com sua postura de resistência às prisões, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1º de abril (Golpe Militar). Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata.
Em dezembro de 1966 redige uma carta desligando-se do imobilizado PCB, após ter ido a um Encontro da OLAS (Organização latino-americana de solidariedade, sediado em Havana) contra a orientação da direção do PCB. Na sua “Carta à Executiva”, assinala: “A saída no Brasil - a experiência atual está mostrando - só pode ser a luta armada, o caminho revolucionário, a preparação da insurreição armada do povo, com todas as conseqüências e implicações que daí resultam.”
Organiza então a ANL - Ação Libertadora Nacional, organização político-militar que participaria do seqüestro do embaixador ianque Charles Elbrick, juntamente com o MR-8. Nesse instante Mariguella era o inimigo número 1 do regime militar-fascista.
Emboscado:
Às oito horas da noite do dia 04 de novembro de 1969 cai numa emboscada armada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, contando com a colaboração de freis dominicanos que, apoiadores da guerrilha, traíram Mariguella.

In memorian:
Carlos Mariguella deve ser sempre relembrado como um grande e autêntico comunista, como um dos melhores filhos do povo brasileiro, um militante que soube dar prova nos fatos de valentia e dedicação revolucionária que nem as torturas e sofrimentos mais horrendos dobrou.
Obras:
As idéias de Marighella não morreram com ele. Sua experiência acumulada em quarenta anos de atividade política foi registrada em textos que percorreram o mundo.
Manual do Guerrilheiro Urbano - 1969
Marcou os movimentos revolucionários das décadas de sessenta e setenta. Traduzido em várias línguas.
Pour la libération du Brésil - 1970
Proibido na França por seu ministro, um grupo de 24 franceses associaram-se para publicar a obra como forma de reafirmar o direito livre de expressão.
Escola Carlos Mariguella -1973
No município de Sandino, província de Pinar del Rio, Cuba. Funciona como instituto pré-universitário. Desenvolve atividades didáticas e trabalho agrícola, é auto-suficientee fornece alimentação balanceada para estudantes e funcionários.
Extras I:
Poema de 1939 escrito por Mariguella:
Liberdade
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto,
e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”
Extras II:
Post do blog do César Parque onde encontrei fotos da exposição em lembrança dos 40 anos de sua morte.
EXPOSIÇÃO CARLOS MARIGUELLA
Extra III:
Documentário de Silvio Tendler.
Mariguella - Retrado Falado de um Guerrilheiro
Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5
Referências:
http://www.carlos.marighella.nom.br
http://www.mepr.org.br
por JuANiTo

4 É Mermada:
É impressão minha ou os livros didático ignoram esse importante símbolo da luta contra a ditadura no país?
Não é impressão: é fato !! Tudo que represente luta contra o poder da nossa elite conervadora, latifundiária, financista, pernóstica, patrimonialista, assassina e ditatorial é ignorado...
Excelente post, companheiro!
Marighella é um exemplo revolucionário não só para os baianos, mas para todo brasileiro que sonha uma nação justa e livre do poder dominador do capital.
Tive a honra de presenciar, semana passada, um debate com três antigos membros da ALN sobre Joaquim de Cãmara Ferreira (Toledo), o velho, no Auditório Patativa do Assaré na Escola Florestan Fernandes.
Fechamos o debate com as seguintes palavras de ordem: Tombaram Toledo, tombaram Marighella; só não tombaram a história, porque somos parte dela!
Parabens pelo post, camarada!
Obrigado Fernando.
É verdade. Eles fizeram de tudo para limpar suas sujeiras. Mas enquanto houver cidadãos inquietos esse tipo de manipulação falhará.
Postar um comentário